Paulão questiona governo sobre privatização da água e asfixia do movimento sindical

Fonte: É Assim.Net

Data: 01/07/2020

O deputado federal Paulão (PT-AL) manifestou sua preocupação com atos do governo de Alagoas que, segundo ele, marcham na contra mão dos interesses do povo trabalhador e da sociedade organizada.

O deputado destacou que, embora o PT hoje integre o governo de Alagoas, mas  já identifica insatisfações com atos que contrariam a luta histórica do partido. Citou como exemplo o processo avançado de privatização da água e do saneamento sob a responsabilidade da Casal.

Disse ele que enquanto no Brasil existe a corrida pela privatização, países europeus, como a França e a Alemanha já descobriram que esse não é um bom negócio. “Tanto que na Europa há registros 267 casos de remunicipalização, ou reestatização, de sistemas de água e esgoto”.

Segundo o deputado, em geral, a Europa observou que as cidades estão voltando atrás porque constatam que as privatizações ou parcerias público-privadas (PPPs) acarretam tarifas muito altas e além de tudo não cumprem promessas feitas. “Aqui no Brasil há muita gente embalada no canto de sereia, mesmo sabendo que cedo ou tarde tudo pode morrer na praia”. Alertou.

Ação antissindical é o cúmulo

Paulão lamentou ainda o fato de governo de Alagoas  ter editado um projeto de lei para asfixiar o movimento sindical, “votou maciçamente no governador e eu encaminhei meu protesto ao Secretário do Gabinete Civil, Fábio Farias”.

O projeto, segundo ele, planeja cobrar dos sindicatos a liberação dos dirigentes, o que, na prática, funciona como uma forma de inviabilizar as entidades sindicais.

“Isso é o cúmulo. Fosse o governo Bolsonaro até entenderíamos as razões, mas não é o caso, pois o governador dentro do fórum do Nordeste tem dado demonstrações de resistência. Mas, nesse caso, permite um retrocesso cruel, principalmente por que o projeto não revela nenhum impacto relevante nas contas do Estado, apenas a asfixia nas entidades”. Pontuou.

Paulão disse que espera mais sensibilidade do governador Renan Filho diante das questões levantadas, considerando que esse tipo de ação só traz acirramento dos ânimos com o movimento sindical.

Da mesma forma, diz são as ações de privatização da água e do saneamento que podem muito bem servir aos interesses de empreiteiras, mas não atendem as necessidades das populações mais humildes dos municípios alagoanos.

“Nesse setor, especificamente, a iniciativa privada procura o filé para tirar o lucro do investimento que é feito e, no final das contas, a população pobre é quem paga o pato que lhe cai nas costas, principalmente nas regiões onde o negócio não resulta em lucro”., declarou Paulão.