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O jogo eleitoreiro para desqualificar a Petrobrás e atingir Dilma

 

» PAULO FERNANDO DOS SANTOS (PAULÃO) – Deputado federal pelo PT

Nos últimos dias, a oposição capitaneada pelo PSDB provocou uma verdadeira celeuma em torno da compra da refinaria de Pasadena (EUA) pela Petrobras, ocorrida em 2006. Tomando como base matérias publicadas por setores da imprensa, sem comprovação ou processo legal, sustenta a necessidade de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mesmo depois de a Câmara dos Deputados ter aprovado comissão externa para analisar o assunto.

Evidentemente, o que está ocorrendo é uma tentativa de embate político-eleitoral antecipado, cujo alvo é a presidente Dilma Rousseff. Uma coisa é investigar a questão com seriedade e responsabilidade, outra coisa é tentar tirar proveito, no intuito de criar um mote midiático com vistas às eleições de outubro.

Ademais, é interessante notar que essa mesma oposição fica de bico fechado toda vez que surgem escândalos envolvendo os tucanos. Não foi criada nenhuma CPI, por exemplo, para o caso Alstom, empresa francesa acusada de pagar propinas para obter contrato na expansão do metrô de São Paulo. Isso porque a base do governo do PSDB na Assembleia Legislativa daquele Estado não permitiu a investigação.

Também aqueles que agora querem desqualificar a Petrobras não fizeram alarde no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, quando a Petrobras comprou ações da petrolífera Bahia Blanca, na Argentina, causando um prejuízo de mais de R$ 3 bilhões à estatal brasileira.

Está comprovado que, historicamente, o PSDB tem trabalhado contra a Petrobras; tentou privatizá-la e até mesmo rebatizá-la de Petrobrax. Porém, a companhia sobreviveu, sendo fortalecida durante as gestões do presidente Lula e de Dilma. Hoje, a Petrobras é a mais sólida companhia brasileira, ocupando o posto de sétima empresa de energia do mundo, um orgulho para o País. Em 2002, no governo FHC, ela valia R$ 30 bilhões; hoje, seu valor de mercado supera R$ 260 bilhões. Ao que tudo indica, de dez anos para cá, houve ganhos significativos para a companhia, e não prejuízos.

O fato é que não há justificativa plausível para uma CPI da compra da Pasadena. O próprio governo federal esclareceu a parceria entre a Petrobras e a empresa Astra, na refinaria de Pasadena. Conforme o acordo, o risco do negócio seria compartilhado pelas duas companhias mediante a aquisição de 50% da refinaria de Pasadena.

A Astra gastou com a refinaria 126 milhões de dólares e a Petrobras investiu 190 milhões de dólares. Os outros 170 milhões são relativos à compra de 50% do estoque de petróleo que a refinaria possuía naquele momento. O Citigroup, maior empresa do ramo de serviços financeiros do mundo, atestou que esse valor era justo, de acordo com o cenário da época. Já a respeitada consultoria IHS-Herold mostrou que o valor médio das transações de operações de refino nos EUA acontecidas em 2006 foi de US$ 9.734/barril, enquanto a aquisição da Pasadena custou à Petrobras US$ 7.200/barril, cerca de 25% menos do que o valor médio.

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