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Igreja de N. S. do Ó é patrimônio do povo alagoano

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Paulo Fernando dos Santos*

A história da Igreja de Nossa Senhora do Óestá vinculada diretamente ao surgimento e crescimento do povoado de Ipioca, num período da história de Alagoas em que o poder político e econômico era exercido por senhores de engenho sobre comunidades organizadas em paróquias, onde a igreja cumpria, muitas vezes, o papel do Estado, passando a ser a mais importante referência quando se tenta conhecer a história local.

Ipioca se desenvolveu em torno da nascente indústria do açúcar que predominava em toda a região norte da província. É provável que o povoamento do hoje Distrito de Floriano Peixototenha precedido ao de Maceió, que também se originou da exploração da cana de açúcar. Não há registros precisos do início do povoamento de Ipioca, mas, um antigo cruzeiro que ficava em frente à igreja tinha uma inscrição com a data de 1627, que pode ser o ano do início do povoamento.

Sobre a igreja, também não se tem dados precisos sobre a data da sua construção que tem características arquitetônicas dos fins do século XVIII. Outra fonte de pesquisa situa a sua construção já em 1785 e que sofreu intervenções ornamentais no século XIX.

Há registros que datam a criação da freguesia de Ipioca em 1713 e a instalação da Irmandade do Santíssimo Sacramento do Meirim em 19 de dezembro de 1878, quando o local ainda era conhecido como Santo Antônio do Meirim e a Matriz também era do Meirim, sob o curato de Nossa Senhora do Ó. O vigário era o padre Pedro Pacífico de Barros.

O desenvolvimento do povoado era tal que em 1819 já existiam 12 capelas na freguesia e a matriz era reconhecida pela riqueza de seus ornamentos e o esplendor do culto. Nesse período, o vigário era o padre Francisco de Assis Barbosa.

No início do XIX, Ipioca superava Maceió e o seu movimentado porto. É o que mostram as estatísticas de 1847, que foram organizadas pelo chefe de polícia, dr. João Paulo de Miranda. Havia uma população de 6.726 indivíduos livres e 3.205 escravos.

Igreja de Nossa Senhora do Ó antes do início da reforma

 

A prosperidade da região era o resultado de uma economia movimentada por plantadores de cana, fabricantes de açúcar bruto e criadores de gado. Em 1870, Ipioca contava 56 engenhos de açúcar e uma população de 13.994 indivíduos, dos quais 3.326 escravos.

A riqueza produzida na região também era compartilhada com a irmandade responsável pela igreja, que tinha em 1860 um patrimônio considerável de terras ao redor da matriz, além de algumas partes no engenho Cachoeira do Meirim.

Depois de alguns anos abandonada, inclusive sofrendo interdição da Defesa Civil em 2013, a histórica igreja de N. S. do Ó recebe hoje investimentos para a sua recuperação.

Considerando que a igreja é tombada como patrimônio histórico do Estado de Alagoas, consegui junto ao Ministério da Cultura, ainda na gestão de Marta Suplicy, recursos na ordem de R$ 1,8 milhão, que estão sendo gastos na reforma realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Destaco ainda que o empenho da senadora Ada Mello e do senador Fernando Collor foram decisivos na obtenção destes recursos.

Entretanto, os principais merecedores dos méritos por esta conquista são os moradores de Ipioca, que se mobilizaram de forma organizada sob a liderança da Prefeitura Comunitária e da Paróquia. Orgulho-me de ter sido porta-voz da comunidade e contribuído para a restauração deste patrimônio do povo alagoano, que conta a história de uma época, de um povo e de sua religiosidade.

* Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, é deputado federal pelo PT.

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