Artigos

A DESIGUALDADE COMO ALVO

Por: PAULÃO – deputado federal pelo PT/AL.

A Cepal é uma das cinco comissões econômicas regionais da Organização das Nações Unidas (ONU), criada em 1948 para monitorar as políticas direcionadas à promoção do desenvolvimento econômico, assessorar as ações encaminhadas para sua promoção, contribuir para reforçar as relações econômicas dos países da área e promover o desenvolvimento social e sustentável.

A edição de 2014 de seu estudo Panorama Social de América Latina, que discute a redução da desigualdade de renda para 15 países da região, apontou que a América Latina não é a região mais pobre do mundo, porém é a mais desigual, o que representa um grande obstáculo para o bem-estar atual e um sério entrave ao desenvolvimento futuro da região. Segundo o estudo, houve muitas melhorias na região: entre 2002 e 2013 o índice de Gini médio da região, (o coeficiente de Gini ou índice de Gini é um cálculo usado para medir a desigualdade social, desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, em 1912), caiu aproximadamente 10%, de 0,542 para 0,486.

No entanto, em geral, a redução da desigualdade na região tem preocupadamente desacelerado. No Brasil a redução do índice de Gini foi mais alta no período de 2008 a 2013 que de 2002 a 2008, assim como na Argentina, Uruguai, Bolívia, entre outros.

No quesito distribuição da renda entre os distintos grupos da população, no Brasil, os 20% mais pobres tinham uma participação de 4,1% da renda total em 2008, que subiu para 4,6% em 2013. Já os 20% mais ricos caem de 58% da renda para 53,6% no mesmo período, passando a relação entre a renda dos 20% mais ricos e os 20% mais pobres de 26,2 vezes para 21,3. Apesar da queda muito significativa, o abismo continua muito elevado.

O alerta da Cepal para a desaceleração da redução da desigualdade mostra a necessidade do comprometimento com essa meta: a desigualdade continua sendo um gravíssimo problema do Brasil e da região.

Neste sentido, o alerta Cepalino coloca na ordem do dia a necessidade de outra agenda para o País, para além da obsessão pela estabilidade macroeconômica. Precisamos para evitar o risco de regressão das inúmeras conquistas sociais e econômicas da última década, pautar o debate sobre a necessidade de medidas impostergáveis que tenha como o alvo a eliminação da abissal desigualdade entre os mais pobres e os mais ricos no Brasil.

Deixe o seu comentário


Paulão do PT | Site Oficial. © 2013. Todos os direitos reservados.